A americana no jiu-jitsu: como funciona e como fazer
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Experimentar grátisA americana é uma chave de ombro: você prende o punho do adversário no chão com o cotovelo dele dobrado em ângulo reto, passa o outro braço por baixo do braço dele para pegar o seu próprio punho e desliza a mão dele pelo chão enquanto levanta o cotovelo. Isso gira o úmero para trás na articulação do ombro (rotação externa), o contrário da kimura (Hasegawa et al. 2026). A frente do ombro e a parte de dentro do cotovelo levam a carga, então finalize devagar e bata cedo.
O que é a americana?
A americana costuma ser uma das primeiras finalizações que você aprende nos cem quilos e na montada. Também é chamada de keylock, figura de quatro ou, no judô, ude garami. Ela não precisa do kimono, então funciona igual no no-gi.
Ela usa a mesma pegada da kimura: uma figura de quatro num braço dobrado. A diferença é a direção. A kimura gira a mão para cima, nas costas; a americana gira na direção da cabeça, e por isso as duas forçam partes diferentes do ombro (Hasegawa et al. 2026).
Como funciona a americana?
O antebraço dele é o cabo e a parte de cima do braço é a alavanca. Mantenha o punho no chão, levante o cotovelo, e o úmero gira para trás na articulação.
- O ombro é uma bola num encaixe raso. Com o braço aberto para o lado, mais ou menos na altura do ombro, o que mais impede a bola de sair pela frente é o ligamento glenoumeral inferior, uma espécie de rede de tecido embaixo da articulação (Turkel et al. 1981). Os músculos que giram o braço para dentro também são alongados (Hasegawa et al. 2026).
- O cotovelo leva uma parte. A torção passa pelo cotovelo a caminho do ombro. Uma revisão de 2026 compara a posição ao braço de um arremessador de beisebol armado para trás, que força o ligamento do lado de dentro do cotovelo (Hasegawa et al. 2026).
- A dobra de 90 graus é a trava. Se o cotovelo dele estica ou o punho sai do chão, a alavanca some. É por isso que essas são as duas primeiras coisas pelas quais as pessoas brigam.
O episódio 1 da nossa Anatomy Series é a física das alavancas: quanto mais longe do ponto de apoio você empurra, mais torção você ganha. Na americana, o antebraço dele é essa alavanca.
Como fazer a americana?
A americana dos cem quilos é a versão clássica. Da montada é a mesma pegada, com os joelhos abertos e o quadril pesado para ele não conseguir dar a ponte.
- Passo 1: Pese em cima. Peito com peito e a cabeça baixa, com os joelhos bloqueando o quadril dele para ele não virar para você.
- Passo 2: Prenda o punho. Com a mão mais perto da cabeça dele, prenda o punho dele no chão ao lado da cabeça, na altura do ombro ou abaixo, para o braço formar um L com o antebraço apontando para a cabeça.
- Passo 3: Pegada em figura de quatro. Passe o outro braço por baixo do braço dele, perto do cotovelo, e segure o seu próprio punho.
- Passo 4: Tire a folga. Gire os punhos para apertar a pegada antes de finalizar. Mantenha o cotovelo dele dobrado em cerca de 90 graus.
- Passo 5: Pinte o chão, devagar. Mantenha o punho dele colado no chão e deslize na direção do quadril dele enquanto levanta o cotovelo devagar. Pare assim que ele bater.
Erros comuns na americana
- Tirar o punho do chão. É o erro mais comum. Quando a mão sobe, o ombro escapa da chave. Mantenha o punho no chão o tempo todo.
- Deixar o cotovelo esticar. Braço esticado não tem cabo. Mantenha a dobra de 90 graus e o braço num L fechado, sem ir para cima da cabeça.
- Quadril solto. Se ele consegue dar a ponte ou virar para você, ele tira o braço. Bloqueie o quadril com os joelhos primeiro.
- Finalizar rápido. O ombro e o cotovelo estão os dois sob carga. Vá devagar e dê tempo para o parceiro bater.
Se ele estica o braço para escapar, o armlock é a troca clássica. Se ele gira a mão para o outro lado, você está numa kimura.
O que acontece se você não bater na americana?
A frente do ombro e a parte de dentro do cotovelo cedem. Uma revisão de 2026 sobre finalizações no grappling diz que as lesões de ombro que uma americana pode causar podem imitar uma luxação traumática pela frente da articulação, incluindo rupturas da borda do encaixe, e que o cotovelo é carregado como o de um arremessador (Hasegawa et al. 2026).
Muita gente chama a americana de “a segura”, mas os dados não dizem isso. A mesma revisão não encontrou relatos publicados de lesões por americana e atribui isso à subnotificação, e não a um risco menor (Hasegawa et al. 2026). Na maior pesquisa sobre lesões no BJJ, com 1.140 praticantes, a americana não ficou entre as três finalizações que mais machucaram quem foi pego (Hinz et al. 2021), e nenhuma lesão por americana foi registrada em oito campeonatos no Havaí (Scoggin et al. 2014). Ser pouco relatada não quer dizer que não machuca.
Como treinar a americana com segurança
- Bata cedo. Bata quando sentir o alongamento na frente do ombro ou no cotovelo, e não quando doer.
- Finalize devagar e solte quando ele bater. Levante o cotovelo aos poucos para o parceiro ter tempo de bater, e solte assim que ele bater.
- Treine com um professor qualificado. Aprenda e treine chaves de ombro na aula, com alguém que possa corrigir a sua posição.
- Procure ajuda se algo estiver errado. Procure atendimento médico se tiver dor ou fraqueza no ombro ou no cotovelo, ou se o ombro parecer solto depois de uma americana.
Transcrições dos vídeos (em inglês)
Os vídeos estão em inglês. Aqui está o que é dito em cada um, palavra por palavra.
Transcrição (em inglês): O que acontece se você não bater na americana
What happens if you don't tap to an Americana? The front of your shoulder gives, and your elbow can go with it. Same grip as the Kimura, turned the other way. From mount, pin their wrist to the mat, your elbow by their ear, other hand under their arm. Grab your own wrist, keep their hand on the mat, slide it down and lift the elbow, their forearms the handle. It cranks the upper arm bone backwards in the socket. Your shoulders a ball in a shallow cup, with a hammock of ligament underneath holding it in. That hammock stretches and so do the muscles that turn your arm in. That's your tap. Keep going and the ball can pop out the front and tear the rim of the cup. Your elbow cops it too. The inside gets pulled open like a pitcher's. People call it the safe one. Barely any injuries get reported and researchers reckon that's because nobody reports them. Go slow, tap early, train tomorrow.
Transcrição (em inglês): Alavanca
Strength loses to physics, every time. A pivot, a load, a push. Push further from the pivot and you get more twist. That twist is torque, force times distance. Same push, three times further out, three times the twist. In an armbar, your hips are the fulcrum. Grip near the elbow, barely anything. Grip the wrist, five times the leverage. Their arm has a short lever, yours is long. Base, stay wide and low. You tip when your weight passes your base. Frames, stack your bones. Stop pushing, start framing. Smaller person, longer lever, physics wins, every time.
Perguntas sobre a americana
Qual a diferença entre kimura e americana?
É a mesma pegada, na direção oposta. A americana gira a mão na direção da cabeça dele (rotação externa); a kimura gira para cima, nas costas (rotação interna). Elas forçam partes diferentes do ombro (Hasegawa et al. 2026).
A americana é chave de ombro ou de cotovelo?
Principalmente de ombro. O cotovelo é carregado no caminho, no lado de dentro, mas o alvo é a rotação do ombro (Hasegawa et al. 2026).
A americana é segura?
Nenhuma finalização é segura se você não bate. Quase não existem relatos de lesão por americana, e uma revisão de 2026 diz que isso provavelmente é subnotificação, e não um risco menor (Hasegawa et al. 2026). Finalize devagar e bata cedo.
Por que minha americana escapa?
Quase sempre o punho sai do chão ou o cotovelo dele estica. Mantenha o punho preso, o cotovelo em cerca de 90 graus e o seu peso em cima dele para ele não virar para você.
Americana funciona no no-gi?
Funciona. A pegada é no braço, e não na roupa, então funciona igual de kimono e no no-gi.
Fontes
- Hasegawa et al. (2026), Common grappling submissions, Hawaiʻi Journal of Health & Social Welfare 85(6): 132–141. Americana: hiper-rotação externa do ombro (a da kimura é interna); as lesões podem imitar uma luxação anterior traumática, com possíveis rupturas do lábio; o cotovelo fica na posição final de armação do arremesso, forçando o ligamento colateral ulnar; nenhum relato publicado de lesão por americana, provavelmente por subnotificação.
- Turkel et al. (1981), Journal of Bone and Joint Surgery (Am) 63(8): 1208–1217. Perto de 90 graus de abdução, o ligamento glenoumeral inferior é o que impede a luxação durante a rotação externa (ombros de cadáveres).
- Hinz et al. (2021), Orthopaedic Journal of Sports Medicine 9(12). Pesquisa com 1.140 atletas: as três finalizações que mais lesionaram quem foi pego foram o armlock (55), a kimura (31) e o heel hook (27); a americana não aparece.
- Scoggin et al. (2014), Assessment of injuries during Brazilian jiu-jitsu competition, Orthopaedic Journal of Sports Medicine 2(2). Oito campeonatos de BJJ no Havaí, 2005–2011: nenhuma lesão por americana registrada.
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