A kimura no jiu-jitsu: como funciona, passos e erros comuns

TécnicaAtualizado em 25 out 2026

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O que acontece se você não bater na kimura. Com som; áudio em inglês.

A kimura é uma chave de ombro: você segura o punho do adversário, passa a outra mão por baixo do cotovelo dele para pegar o seu próprio punho e gira a mão dele para cima, nas costas. A finalização vem desse giro e de manter o cotovelo dele colado no corpo, e não de puxar mais forte. Funciona dos cem quilos, de baixo na guarda e depois de uma queda.

O que é kimura no jiu-jitsu?

A kimura é uma chave de ombro. O nome japonês é udegarami, mas quase todo mundo no jiu-jitsu chama de kimura. Como o Henrique conta no curso de fundamentos do JitsAI, o nome vem do campeão mundial de judô Masahiko Kimura, que usou essa finalização contra o Helio Gracie numa luta famosa em 1951, e desde então o nome ficou no jiu-jitsu brasileiro.

Não confunda com a americana. As duas usam a mesma pegada em figura de quatro no braço dobrado, mas a americana gira o ombro para o lado contrário, com a mão dele indo na direção da cabeça. A kimura funciona de kimono e no no-gi, porque a pegada é no punho e no braço, e não no pano.

Como funciona a kimura?

A pegada transforma o braço dobrado dele numa alavanca contra o próprio ombro.

Aplique o giro devagar e pare assim que o parceiro bater. Uma kimura forçada pode machucar o ombro rápido.

Alavanca (Anatomy Series do JitsAI, episódio 1.)

O episódio 1 da nossa Anatomy Series é a física das alavancas: quanto mais longe do ponto de apoio você empurra, mais torção você ganha. Na kimura, o antebraço dobrado dele é essa alavanca.

Como fazer a kimura?

Com a pegada feita, a kimura é menos uma sequência fixa e mais uma posição de controle de onde você ataca. Dos cem quilos, se o braço dele fica acima dos seus ombros, bloqueie o quadril, vire de frente para a cabeça dele e deixe o braço passar na frente do seu rosto enquanto gira; desça o joelho para travar a kimura. De baixo na guarda, quando ele apoia a mão no chão na sua frente, pegue o punho e sente para fechar a figura de quatro, com uma fuga de quadril para melhorar o ângulo antes de finalizar. E se você cai atrás dele depois de uma queda, a pegada de kimura é um dos jeitos mais rápidos de controlar o braço mais perto da cabeça enquanto você decide se finaliza, pega as costas ou vai para o armlock.

Estes são os quatro passos do curso de fundamentos do Henrique:

  1. Passo 1: Faça a pegada de kimura. Com uma mão, segure o punho do braço que você vai atacar. Passe a outra mão por baixo do cotovelo dele e segure o seu próprio punho, de modo que o antebraço dele fique dentro de uma figura de quatro. Só essa pegada já dá um controle forte do ombro e do cotovelo dele, antes mesmo de atacar.
  2. Passo 2: Controle a postura. Mantenha o cotovelo preso colado no corpo dele. Se ele conseguir esticar esse braço ou apoiar a mão no chão, a pegada perde quase todo o controle.
  3. Passo 3: Gire a mão dele para as costas. Leve o punho dele para cima e para trás, na direção das escápulas dele. Quem torce o ombro é esse giro, e não a força do puxão.
  4. Passo 4: Finalize levantando o cotovelo, e não só girando o punho. Levante o seu cotovelo de baixo sem soltar a figura de quatro, para a pressão passar pela articulação do ombro. Aplique devagar e pare assim que o parceiro bater.

Erros comuns na kimura

Se a finalização trava, as saídas da nossa página de saídas dos cem quilos e da montada seguem o mesmo princípio do outro lado: primeiro controle, depois movimento. O mata-leão funciona com a mesma ideia, com a alavanca da posição fazendo o trabalho em vez da força no braço. Quando ele defende a kimura esticando o braço, o armlock é a troca clássica, e a omoplata é o mesmo giro da kimura feito com as pernas, da guarda.

O que acontece se você não bater na kimura?

A parte de trás do seu ombro cede. Como a kimura segura o cotovelo em cerca de 90 graus, o antebraço vira uma alavanca que gira o úmero para dentro na articulação do ombro (Hasegawa et al. 2026). A parte de trás e de baixo da cápsula do ombro e os músculos do manguito rotador que giram o braço para fora recebem o alongamento. Esse alongamento é a hora de bater.

O cotovelo leva parte da carga no caminho. Em oito campeonatos de BJJ no Havaí, as duas lesões de kimura registradas foram uma entorse de ligamento do cotovelo e uma entorse leve da articulação no alto do ombro (Scoggin et al. 2014). Raramente, um giro rápido contra um braço travado já quebrou o úmero em espiral, mas os únicos relatos são anedóticos, de médicos que escreveram uma revisão em 2026 (Hasegawa et al. 2026).

Numa pesquisa com 1.140 praticantes, a kimura causou 31 das 246 lesões relatadas por quem foi pego numa finalização (12,6%), atrás só do armlock (55). A maioria das lesões dessa pesquisa, 77,6%, aconteceu no rola do treino, e não em campeonato (Hinz et al. 2021). Vá devagar, e bata cedo.

Como treinar a kimura com segurança

Transcrições dos vídeos (em inglês)

Os vídeos estão em inglês. Aqui está o que é dito em cada um, palavra por palavra.

Transcrição (em inglês): O que acontece se você não bater na kimura

What happens if you don't tap to a kimura the back of your shoulder gives and the ball can pop out the back It's a shoulder lock the elbows just the handle They post a hand grab the wrist sit up over the shoulder under the arm grab your own wrist elbow bent at 90 Now their forearm is a spanner hip out to the side and drive their hand up behind their back The upper arm bone twists inwards in the socket your shoulders a ball in a shallow cup Held in by a bag of ligaments and the muscles that turn your arm out The back and bottom of that bag stretch and so do Do those muscles that's your tap keep going and the ball can slip out the back and the bag can tear crank it fast And the arm bone itself can snap in a spiral rare But it's been seen in one big survey only the armbar caused more injuries than the kimura Go slow tap early train tomorrow

Transcrição (em inglês): Alavanca

Strength loses to physics, every time. A pivot, a load, a push. Push further from the pivot and you get more twist. That twist is torque, force times distance. Same push, three times further out, three times the twist. In an armbar, your hips are the fulcrum. Grip near the elbow, barely anything. Grip the wrist, five times the leverage. Their arm has a short lever, yours is long. Base, stay wide and low. You tip when your weight passes your base. Frames, stack your bones. Stop pushing, start framing. Smaller person, longer lever, physics wins, every time.

Perguntas sobre a kimura

O que é kimura no jiu-jitsu?

A kimura é uma chave de ombro. Você prende o braço do adversário numa pegada em figura de quatro e gira o punho dele para cima, nas costas, torcendo a articulação do ombro até ele bater.

Por que se chama kimura?

O nome japonês é udegarami. Como o Henrique conta no curso de fundamentos do JitsAI, ela passou a ser chamada de kimura depois que o campeão mundial de judô Masahiko Kimura usou essa finalização contra o Helio Gracie numa luta famosa em 1951, e o nome ficou no jiu-jitsu brasileiro desde então.

Qual a diferença entre kimura e americana?

As duas usam a mesma pegada em figura de quatro no braço dobrado, mas giram o ombro para lados opostos. Na kimura a mão dele vai para as costas; na americana, na direção da cabeça e do chão.

Kimura é técnica de kimono ou de no-gi?

Das duas. A pegada não precisa do kimono, e por isso a kimura aparece tanto no no-gi quanto de kimono.

De onde dá para fazer a kimura?

De muitos lugares: dos cem quilos, de baixo na guarda fechada, pegando as costas depois de um sprawl e como contra-ataque quando o adversário entra numa single leg. O curso do Henrique ensina a kimura como uma pegada com vários ataques, e não como uma sequência fixa.

Qual o erro mais comum na kimura?

Tentar finalizar puxando em vez de girar, e deixar o cotovelo dele se afastar do corpo enquanto você monta a chave. Primeiro controle o cotovelo, depois gire o punho na direção das escápulas dele.

Fontes

  1. Hasegawa et al. (2026), Common grappling submissions, Hawaiʻi Journal of Health & Social Welfare 85(6): 132–141. Kimura: 90 graus de abdução do ombro e de flexão do cotovelo forçam a hiper-rotação interna; a banda posterior do ligamento glenoumeral inferior, a cápsula posterior e os rotadores externos são alongados; os autores relatam, de forma anedótica, ter tratado fraturas espirais da diáfise do úmero causadas por kimuras.
  2. Scoggin et al. (2014), Assessment of injuries during Brazilian jiu-jitsu competition, Orthopaedic Journal of Sports Medicine 2(2). Oito campeonatos de BJJ no Havaí, 2005–2011: duas lesões de kimura, uma entorse do ligamento colateral ulnar do cotovelo e uma separação acromioclavicular grau I.
  3. Hinz et al. (2021), Orthopaedic Journal of Sports Medicine 9(12). Pesquisa com 1.140 atletas de 62 países: a kimura causou 31 de 246 (12,6%) lesões em quem foi finalizado, atrás do armlock (55); 77,6% de todas as lesões aconteceram no rola do treino.

Esta página explica uma técnica esportiva. Não é orientação médica.